Psicanálise e Estética: a “saída” pelo belo

Pieter Bruegel (1586) – The Parable of the Blind Leading the Blind

A expressão estética de alguns elementos associados ao fundamento da condição humana é uma das saídas para tentar transcender a mera condição natural. O reconhecimento imediato pela maioria das pessoas daquilo que está sendo tratado produz um efeito aprazível.

 

É possível estabelecer analogias entre o sintoma no sentido psicanalítico, isto é, tomado como produção genuína do sujeito, e outros processos de criação, como a Arte, a Literatura… Freud, em vários momentos de sua produção escrita, tomou como base para as suas reflexões psicanalíticas obras de artistas ilustres e célebres escritores (“Delírios e sonhos na ‘Gradiva’ de Jensen” [1906]; “O Moisés de Michelangelo” [1914]; “Um paralelo mitológico com uma obsessão visual” [1915-1916]; “Uma neurose demoníaca do século XVII” [1922]; “Dostoiévski e o parricídio” [1927]; “Relação dos trabalhos de Freud que tratam principalmente ou em grande parte da arte, literatura ou teoria da estética”: apêndice de “O prêmio Goethe” [1930] – vol. XXI)[1].

 

A materialidade da obra, enquanto elemento fundante da experiência estética, convida para a entrada em cena do tema relativo ao corpo, também, tão caro à psicanálise.  

 

[1] Cf. FREUD, S. O prêmio Goethe. In Obras Completas. V 21. Rio de Janeiro: Imago, 1972, p. 225.