Karl Abraham

 

Membro da geração dos discípulos freudianos, Karl Abraham (Bremem, 1877-1925) desempenhou um papel pioneiro no desenvolvimento da psicanálise na Alemanha e, mais especificamente, em sua capital. Implantou a clínica freudiana no campo do saber psiquiátrico, transformando assim o tratamento das psicoses: esquizofrenia e psicose maníaco-depressiva. Elaborou também uma teoria dos estádios da organização sexual, na qual se inspirou sua aluna Melanie Klein.

 

Instalou-se em Berlim em 1907, onde iniciou sua carreira. Três anos depois fundou ao lado de Magnus Hirschfeld, Heinrich Körber e Otto Juliusburger a Sociedade Psicanalítica de Berlim. Foi um dos grandes militantes do movimento psicanalítico na Alemanha, que viria a ser dizimado pelo nazismo a partir de 1933.

 

A obra deste fiel discípulo de Freud se construiu em função dos progressos da obra do mestre. Mais clínico do que teórico, Abraham escreveu artigos claros e breves nos quais domina a observação concreta.

 

Em sua obra devem distinguir-se três épocas. Entre 1907 a 1910, dedicou-se a uma comparação entre a histeria e a demência precoce (que ainda não era chamada de esquizofrenia) e à significação do trauma sexual na infância. Já no segundo período, em 1911, publicou um importante estudo sobre o pintor Giovani Segantini, atingindo distúrbios melancólicos. Em 1912, redigiu um artigo sobre o culto monoteísta de Aton, do qual Freud se serviria em Moisés e o monoteísmo. Enfim, no terceiro período de sua obra, descreveu os três estádios da libido: anal, oral e genital.

 

Veio a falecer precocemente aos 48 anos, vítima de enfisema e de uma septicemia consecutiva a um abcesso pulmonar provavelmente causado por um câncer.

 

Adaptado de:

ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.