A procura pela psicanálise

O pensador – Auguste Rodin, 1904

 

Uma pessoa pode experimentar um sentimento de estranhamento em relação a si mesma, resultante do efeito de surpresa associado a um dito ou a um ato espontâneo realizado por ela, ou mesmo por uma manifestação corporal não esperada; pode experimentar ainda um estranhamento decorrente da incidência de um fato doloroso que ela não conseguiu integrar aos seus sistemas usuais de pensamento.

 

Estranhamentos como esses são sempre acompanhados de angústia e por isso mesmo instigam a pessoa para o trabalho de desvelamento das lógicas que os define. Ao longo da sua história, o sujeito cria estratégias para amortecer o confronto com a ausência de um sentido pré-definido para a vida. Ao irromper um fato que, de alguma forma, faz vacilar a “eficácia” do fundamento dessas crenças (estratégias de amortecimento), o sujeito vê-se constrangido a tentar rejeitá-las ou reelaborá-las. É aí que a psicanálise encontra sua vez.